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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal

Passei com uma coroa triste.
Os filhos viajaram e o marido tem outra.
Fiz lentilha, chester e arroz.
Bebemos algumas garrafas de vinho
E a comida está fria sobre a mesa.

Ela é tão sozinha quanto eu,
A diferença é que uma foi abandonada.
O outro tomou uma decisão.

Transamos como ela queria.
Gozamos quando ela queria.
Paramos para ela dormir.
Ganhei meias.

Eu poderia ter filhos, mulher, emprego,
Vida...
Optei ser escritor
Criticado.

Optei viver da alma
Deixando-a solta.

Feliz Natal é o caralho!
Ela ronca.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lágrima

Ela tinha aquele olhar triste
De amor perdido
E choro escondido.

Maquiagem borrada e batom vermelho,
Tristeza alimenta,
Excita-me.

Um pouco de caridade,
Muito egoísmo
E um toque de perversão.

Tudo combina.

Os quilos que ela ganhou
As olheiras
A pele branca
O cabelo seco
A vontade de dar.

Frágil, delicada, prestes a quebrar:
Meu tipo de mulher.

sábado, 22 de outubro de 2011

Unhas e Dona Graça

Sempre que preciso cortar as unhas,
Eu vou a casa da Dona Graça,
Uma mulher de cinqüenta e poucos anos,
Seios moles, varizes e raízes brancas.

É mais fácil comer essa mocréia
E ter minhas unhas cortadas,
Que enfrentar a barriga de cerveja.

E tem mais,
Dona Graça sempre me dá uma panela de feijão.
Economizo uma semana de comida
E gasto mais com cerveja.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Seu Fim (em mim)

O ponto G dela é a minha língua,
A ponta dela.
Delicada e úmida.
Circular.
Pontual.
Circular.

Eu brinco com o melado.
Encharco a boca,
Escorre pela barba.

O nariz aperta,
O que o lábio esfrega
E a língua goza.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Filantropia

Doei sangue.
Um conhecido precisa.
Uma daquelas doenças que matam
ou destroem a pessoa.

Não fiz isso a pedido dele.
Fiz porque a futura viúva pediu.

Ótima amante,
Como toda carente.

domingo, 16 de outubro de 2011

Por tantos

Fazer poesia é fácil.
Rimar é ridículo.
Difícil é ter sentido,
Ser de verdade.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Carta para Luiza

Nunca fui tão feliz
E meus dedos tão amarelos.
Nunca fui tão compreensivo,
Tão paciente
E tive tantas dores de cabeça.

Não há problemas!
Agora,
Só sorrio
Quando sou sincero.
Não há obrigações.

Aparências, promessas,
Não me preocupo com essas coisas.
Desejo é como sede:
Ou mato,
Ou morro.

Se ainda queres saber,
Continuo botafoguense,
Talvez único amor que me sobra.

O resto é resto.